Friday, February 15, 2013

revolução

Hoje, quando ví o vídeo em que o público interrompe o primeiro-ministro no plenário da assembleia da republica, entoando a Grândola, fiquei a imaginar o que seria se os polícias encarregues do despejo, em vez disso se juntassem àquelas pessoas e cantassem com elas.
Quem os poria fora então?
Isso é que era revolucionário!
Emocionei-me ao imaginar esse cenário neste meu romantismo bacoco.
Quando voltei ao sério fui assaltado por algumas questões. Foi como se de repente, despisse da farda os polícias e vislumbrasse a pessoa de cada um deles.
Que raio de poder fez com que, em vez de se juntarem ao canto, cumprissem as ordens de despejo? Afinal são povo também.
O que terão sentido naquele momento? A Grândola, para mim, não é uma música ou sequer uma canção. Faz parte do meu sistema nervoso central que quando, num espontâneo momento como este, aperece, coloca-me de imediato com 11 anos na Avenida dos Aliados, nas comemorações do 1º de Maio de 1975 onde, mais de 1 milhão de pessoas entoavam a Grândola em uníssono a chorarem compulsivamente. Eu, que pela idade que tinha tive direito a uma visão previligiada aos ombros de um saudoso amigo da minha mãe, percebi, ali, a chorar com toda a gente, o que queria dizer 25 de Abril e o sinónimo da palavra Revolução.
Terão aqueles polícias, que diga-se, de uma forma respeitosa e educadamente, evacuaram aquelas pessoas daquela que se deveria chamar, e ser, a casa do povo, a noção deste meu 25 de Abril (meu, portanto nosso)?
Ter-se-ão apercebido que tinham ali, na mão, num único gesto de cantar, a possibilidade de fazerem outra vez revolução com uma só flor-canção?
Será que sou só eu que imagino este cenário?
Afinal eles, polícias, também são vítimas desta crise de identidade social, em que meia-duzia de energúmenos minam a vida de biliões de pessoas impunemente, e em que não se vislumbra maneira de os meter na pildra por estes crimes hediondos de lesa-vida.
Continuando neste cenário imaginário, juntar-se-lhe-iam os deputados?
Passavam logo em directo as televisões e, se calhar, Portugal acordava de novo nesta Grândola, esta força da natureza que exuma de mim no tempo, dissecando os mas ínfimos poros deste meu ser pelos outros.

Nesta altura do meu desemprego negro, da vitalidade perdida na não solução da minha vida, no meu culpar de mim, para mim, comigo, consigo no entanto sorrir de ser este romantico bacoco. Afinal, hoje, fizeram-me sonhar e gritar dentro de mim:

Viva o 25 de Abril

A Grândola, essa, não a consigo cantar
porque choro compulsivamente

3 comments:

Pedro de Moura said...

Não estás sozinho Ricardo.
Portugal ainda não esqueceu esse dia inteiro e limpo.
Viva o 25 de Abril!!


Carlos Araújo Alves said...

Nem mais, Ricardo, juntar a voz deles e, no mínimo, levantarem-se!!!

Anonymous said...

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