Monday, February 9, 2009

regras de espírito

acordo-te sentado em ti
murmuro os teus sons do dia
a seguir rasgo os lamentos
tiro as preguiças

faço-te a barba
guio-te à cozinha e aqueço a água
em vão preencho-te o ego
eu sei, está frio

eis que surpreendes um sorriso
mordes as tormentas para outro dia
afinal o café nem é tão mau

olhas a realidade da rua, que ainda não é tua
voltas a despertencer-te
contigo balbucio outros caminhos

havemos de chegar lá

Sunday, February 1, 2009

anunciação

não vi o nuncio
regro as palavras
estou farto

no dia da boda não pereço
talvez depois
ao ritmo dos meus achaques

já a perna não responde
estou lúcio, de peixe
amargurado deste imenso oce, ano meu

rezam as palavras
unem-se as telhas
nada

dos escombros
à esguelha
perpectuo o mal estar

e não traduzo
não quimero
eu
o limbo dos meus quereres

romântico
alegre
e só

tormento o destino
a chicla que não meto à boca
pirata, do não ser

sobre
vivo
até a mãe morrer

depois, vou-me

a

respirar

tomara


nos escombros da dália
assim
pereço

morte minha
sem resto
escamas nos pés...