eis-me pois no sossego das pantufas
que ainda não tenho
descalso vou portanto às janelas
o sofá apetece-me quando não me sento
e faço tortilhas
olhas para mim e vejo o teu respirar
a roupa seca no frio tresmalhado
deste norte
vou no tempo sem tempo
ouço sempre isto quando aqui te vejo
pelo caminho subo as escadas e olho o teu frio
aqui, do repouso
depois, toco piano
os novos e ainda intrincados momentos
desta descoberta feita eu
abro as portinhas atrás de mim
para ver como vai a sopa
depois
revejo os amigos que não vejo aqui
estão do outro lado do mar
onde pousa o meu ser
e o meu intimo
e até as lágrimas se comportam melhor
o tempo chegará para me ouvir de novo
num quaquer palco
até lá sobra-me a música
que me sobeja nas fontes
e varre as marés
esta é a última
Saturday, March 5, 2011
as àrvores das minhas janelas (4)
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Saturday, December 11, 2010
a árvore da minha janela (3)
não pensava referir-te desta vez
ainda estou a pensar mudar de novo
não me encontro neste quarto
neste sítio
estava à espera de outra janela
mas olhei para fora e olhavas para mim
como ignorar
o dia vestiu-se de branco
e espalhou-me uma paz nostálgica
na alma
vou talvez poder um dia
encontrar outra vez um sítio
onde possa arrumar os quadros da avó-linda
na parede
pegar nos meus livros
nas pautas
e todos os pratos e garfos e facas e colheres e paninhos e panleas e mesa e cadeiras e mesinhas e sofás e tapetes e sei lá mais que tralha que sempre aqueceu os meus dias e ajudava a criar aquele fricassé que tantas bocas acolheu com mensagens do género
- um dia tens que ir lá a casa cozinhar isto para a família
vou mesmo é querer convidar essas bocas todas para o virem degustar á beira dessa janela onde estará a árvore que há-de olhar para mim para falarmos outra vez os dois
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12:07 PM
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Thursday, April 8, 2010
a árvore da minha janela (2)
tu e o deserto
cansado de ser objectivo
observo-te
mais uma vez ela germina
tu não
no teu pesar
estão as infinitas luzes da farinha
ao trocar os olhos
pensas mais do que existes, pois
e depois os homens
tantos e tão poucos
nenhum
os pianos defecam
coisas sem saída
o pc não fala
e não posso ir lá
onde as raízes se perderam
falas com Ele também
no teu soturno mal estar
aquele sorriso dois
mil seiscentos e vinte e um
ele, aquele, alguém
podia
só estar
comigo
aqui
para ele
para mim
para nós
a minha alma fere-se de corpo
nunca soube
porquê
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Wednesday, April 1, 2009
a árvore da minha janela
a árvore da minha janela
espera às vezes que eu acorde
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