é só deixar correr, tocam sozinhas
Wednesday, January 17, 2018
Sunday, February 17, 2013
a procura
te
enquanto nao encontro
te
o síndrome louco da busca
qualquer passo
qualquer gesto
num tédio infinito de perda
que ofusca
te
a simples hipótese de perder o lugar
do momento onde vejo
te
culmina nesta dor
que de já física
impede as palavras aos que não são
te
de sairem antes de sairem claras
com um espesso manto assertivo
como um inventar de nebulosa
de desculpa
te
o problema da aquisição de um amor
infinito de dádiva
onde cada gesto
pertence
te
cria uma existência desarrumada
de coisas por fazer
culpas de não agir
intercâmbios sem rosto
só porque esse amor não dorme
te
na insónia deste vago
do sono poluído
cabem momentos de mentira em que
o desejo
te
se transforma
te
em momentos como este
na escrita do sonho
te
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4:52 PM
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Friday, February 15, 2013
revolução
Quem os poria fora então?
Isso é que era revolucionário!
Emocionei-me ao imaginar esse cenário neste meu romantismo bacoco.
Quando voltei ao sério fui assaltado por algumas questões. Foi como se de repente, despisse da farda os polícias e vislumbrasse a pessoa de cada um deles.
Que raio de poder fez com que, em vez de se juntarem ao canto, cumprissem as ordens de despejo? Afinal são povo também.
O que terão sentido naquele momento? A Grândola, para mim, não é uma música ou sequer uma canção. Faz parte do meu sistema nervoso central que quando, num espontâneo momento como este, aperece, coloca-me de imediato com 11 anos na Avenida dos Aliados, nas comemorações do 1º de Maio de 1975 onde, mais de 1 milhão de pessoas entoavam a Grândola em uníssono a chorarem compulsivamente. Eu, que pela idade que tinha tive direito a uma visão previligiada aos ombros de um saudoso amigo da minha mãe, percebi, ali, a chorar com toda a gente, o que queria dizer 25 de Abril e o sinónimo da palavra Revolução.
Terão aqueles polícias, que diga-se, de uma forma respeitosa e educadamente, evacuaram aquelas pessoas daquela que se deveria chamar, e ser, a casa do povo, a noção deste meu 25 de Abril (meu, portanto nosso)?
Ter-se-ão apercebido que tinham ali, na mão, num único gesto de cantar, a possibilidade de fazerem outra vez revolução com uma só flor-canção?
Será que sou só eu que imagino este cenário?
Afinal eles, polícias, também são vítimas desta crise de identidade social, em que meia-duzia de energúmenos minam a vida de biliões de pessoas impunemente, e em que não se vislumbra maneira de os meter na pildra por estes crimes hediondos de lesa-vida.
Continuando neste cenário imaginário, juntar-se-lhe-iam os deputados?
Passavam logo em directo as televisões e, se calhar, Portugal acordava de novo nesta Grândola, esta força da natureza que exuma de mim no tempo, dissecando os mas ínfimos poros deste meu ser pelos outros.
Nesta altura do meu desemprego negro, da vitalidade perdida na não solução da minha vida, no meu culpar de mim, para mim, comigo, consigo no entanto sorrir de ser este romantico bacoco. Afinal, hoje, fizeram-me sonhar e gritar dentro de mim:
Viva o 25 de Abril
A Grândola, essa, não a consigo cantar
porque choro compulsivamente
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5:56 PM
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Friday, February 8, 2013
a minha desalma
onde não temesse a vergonha da culpa
que sinto
o consolo do sal que perdi
no desvaneio da indifrença
com que cometi os pecados desta dor
a mente, mente
como sempre
hoje mentia diferente
mas já não sei como enganar-me a mim
olho agora para o meu todo
este resto que sobrou
do sonho antigo
que me deu para sonhar que agora seria outro o mundo?
realizar tarde
dizem outros
ainda cedo
que nem os sítios mudam
fosse eu outro sonho
melhor seria
a sua ausência
talvez
mantem-se, no entanto, esta voz
gritante
dentro de mim
sem descanso
a julgar
a profetizar
a opinar
a sentenciar
e
a tentar iludir-me
esse dia já fora,
agora
grita neste nada
- está calada estúpida!
susurro eu como marido cansado da vida cinzenta ao lado da rela ofegante alienada do trabalho caseiro da esfrega das pratas na sala que não se usa, nunca se usa. vida reduzida na preguiça do futebol e na saudade dos corpos desejados
não descubro o silêncio, tudo buzina num constante despejo, como se ninguém se deixasse ser, estas vidas de constante justificar o incomodo de não se poder deixar ir
e
como num grito
deixar acontecer
contigo
sim
contigo
e com o outro
e este
e ela
e até ontem
também
e não deixo
não me deixa
a voz
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7:55 PM
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Friday, January 25, 2013
à procura do absurdo
tens dentes?
ausentes!
nas mortes tens sortes
mundo esse
desafio
a cauda do grilo
a estopa o linho
lã da fadiga
a alma fôlega
o ácido rústico, suspenso, bravo
o colarinho, a barriga
a bexiga
o moço e o coxo
a berlinda dos falhados
o corpo dos famintos
e as tiras dos ricos
sonhos circunspectos das palavras finas
as onças
palavras não vistas espicaçadas
como o alho errado no prato doce
e eu
passo-me passeio-me trespasso-me
aqui
onde não sei onde é
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3:06 AM
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Tuesday, December 25, 2012
no
I am not
consider me here
that I am
consider me
just
what a crumble juice
no swallow
not even a gost tree
thats me
somehow mistaken
dumb
shall I fall in the sea
no gasp
no rim in my ass
that fish aside
no awareness
what else
and leave
I want
the stressful living
abroad
when you just don't want
or can
to wake up
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5:40 AM
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Tuesday, December 18, 2012
esse tu
do que fica desse olhar
e o rasto impresso do desconsolo do não estar lá dentro
mais uma vez o tempo me engana
onde não encontramos respostas nem soluções
como um vagueio sem sentido com saudades tuas
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3:55 PM
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Sunday, November 25, 2012
esperança
essa puta desapareceu
rastilho de sonhos, ás vezes enraivecidos
sumiu
já não sei o que me resta
a par de outras diatribes, contava com ela
para me situar
adoemesto-me agora da fonte da merda
sem eira
o declínio já assumido
o caule que já não dá folha
e esta noção de magoar tudo e todos
empresta-me uma vida
para os próximos cinco minutos
a dor já é benvinda
que se foda
estou vivo na consciencia intraquila de não o querer
queria apagar-me
já
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4:28 AM
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Tuesday, October 9, 2012
tempos agrestes
tornou-se pandémico
como quem sopra uma faulha que não caia na cabeça
como se já não fosse desprezivel olhar-me
encaro com horror o colapso da salvação impossível
e
assim
o amor moi mais
não, não queria interferir
deixar o amor doer fica em mim
eu aguento
ou se não aguento não digo
e não afecta os amores meus
ingenuidade macabra que teimou em ficar mesmo depois do inicio
e
assim
arruino o plano das vaidades
como numa vacina
não olho o braço picado
descubro um ponto de parede
e lambo a ferida interinamente
sorrio para descompor a dor
e
assim
amalgo a treva turva
não te penses mais
como na guerra
tudo é desconforto
e,como muitos, entras nela por saberes que perdes
à sombra da batalha que ganhas
e
assim
deixas a dor na vitória
pobre da ideia
do dia em que podias ser triste
sem espalhares a tristeza
não porque escolheste ser triste
mas porque o negro esvaiu-te
e
assim
do branco choraste
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2:38 AM
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Tuesday, July 17, 2012
voltar aqui
agora no lugar onde o sonho parece ter parado
leio o ente que fora de antes
do dia do não
último
vejo a imagem do passado
e não realizo como pude mudar assim
pareço vergado a um ente poderoso
essa Blimunda que leva as vontades
impune
arrasa esta noção de deixar de sentir
de não encontrar o eu que era eu
numa lobotomia absurda
como quem ensurdece numa frequência
repetida tanto, mas tanto
que já não interessa que se ouça ou não
como melhor seja
ficar surdo
olha
dobraram-me
e eu não quero saber
ficar direito tornou-se uma alquimia
nem sei que faça agora
nem o que quero que se faça
de mim
perdi esse interesse
também
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1:35 AM
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Monday, January 23, 2012
da minha vida
num olhar
como se fosses cipreste
nos ramos da tua mente luzidia
desemboco, na minha parábola
o teu gesto enjeita
o meu sonho
tudo o que tinha em limbo
renasceu
nesta membrana química
do olhar
além do mar está o sal
do sonho
esse reviver da saudosa génese
os anos compridos
cumpridos
e o que me sai da cabeça
e da tua
milagre escondido de mim
milagre comprometido de ti
o amanhã será hoje
no intricado da semente
que produz o algo
sem degenerar
pouso os ouvidos
na música que me surpreende
sem mesmo saber
que são os meus dedos
que teclam
já a conversa vai longa
durmo no seio do teu respiro
e
descanso
flor do meu sal
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12:55 AM
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Wednesday, December 28, 2011
ticha jazz mania
nunca chegava aqui
aos teus sons
nos meus dedos
e é daqui
do canto dos meus sonhos
que me honro
de vestir a personagem
do nosso imaginário
comum
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6:58 PM
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Saturday, December 24, 2011
prelude to Mr. Jago
explaining me the orbitals of an atom
I asked for the size of the particles
related with the distance between them
the answer opened the Pandora box
since then
in the turmoil of my mind
the world changed to me
as the music grows
inside
still there's no words
no explanation
to create this
I just can say
thank you
Mr. Jago
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2:11 PM
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Monday, November 28, 2011
rainer (2)
na saudade infinita
lugar esse que só cabe
na música
no piano quebrado
no que ficou para nós
no que não deixaste morrer
aqui
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12:23 PM
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Labels: rainer
Thursday, November 3, 2011
quando se abre uma porta
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3:20 PM
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Monday, September 12, 2011
tita
uma das maiores amigas do mundo
o video diz tudo sobre a Tita
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8:31 PM
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Friday, August 5, 2011
mother is coming
a mãe vem ver-me
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3:55 PM
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Friday, July 29, 2011
dias perfeitos
às vezes consegue-se parar o tempo
chegar a sítios assim
olhar o vazio e respirar fundo
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4:26 PM
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Monday, April 25, 2011
rainer
os dias às vezes perdem o sentido
acordamos a pensar o 25 de abril
e o sonho da revolução esmorece
no sentido da vida
o rainer era a luz tua
consegui senti-la desde o primeiro dia
que soube
uma luz que não se apaga
nunca
mesmo nas velas que já acendi hoje
no derramado de lágrimas que verto
ainda
e neste sonho vago de entender
felicidade
que não se sabe o que seja
e nestes dias líbios e sírios
quando o mundo muda debaixo dos teus pés
quando a hipocrisia emana
aos berros
queria o teu abraço
e dar-te o meu
e sem nada para dizer
que me reste
devo dizer só
que o teu brilho não se perde
nos meus olhos
nem o do
reiner
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8:44 PM
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Labels: rainer
Tuesday, March 29, 2011
to you
quando perco as palavras
remeto-me para isto
fica no ar
e só ouço
no fim
partilho
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2:56 PM
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